I CONCURSO PETROBRAS CASABLOCO DE ARTES CARNAVALESCAS
Finda amargo fevereiro,
se desfez o meu amor de carnaval,
me despi da fantasia de felicidade,
não há mais balangandãs,
minha máscara caiu,
atravessei o samba inteiro,
desgracei com o enredo,
o fim da folia chegou.
Sou apenas pó,
a cinza que sobrou da quarta-feira
Vou chorar no mês subsequente,
em memória da cabrocha que amei,
minhas lágrimas são as chuvas
que caem do céu em Março, sou confete amontoado
jogado a esmo na sarjeta
Finda amargo Fevereiro,
foi-se embora a colombina que amei,
foi pular o carnaval noutra avenida,
noutros braços,
minha máscara caiu,
atravessei o samba inteiro,
desgracei com o enredo,
o fim da folia chegou
Sou apenas pó,
a serpentina que sobrou da quarta-feira
Vou chorar no mês subsequente,
em memória da cabrocha que amei,
sou um ex-mestre-sala sem porta-bandeira,
a sós com a solidão, cachorro caído do carro alegórico
no frio sepulcral do chão da quadra
O bater do meu surdo não se ouve mais.
IVAN LYRAN (Belo horizonte, 1980). Músico e escritor. Em 2011 iniciou seus estudos no Instituto Metodista Izabela Hendrix, onde graduou-se em 2013 no curso de Licenciatura em Música. Vencedor dos Prêmios iMelody International Composition Contest (2017) com a obra Três Peças Brasileiras Para Duo de Violões Opus 22 e do Prêmio McMurry New Music Project (2029) com a obra Pobres flores mortas Opus 34a. Seus textos foram publicados pela Lura Editorial, Vivara Editora Nacional e Editora Vira Tempo.
A fotografia que acompanha o poema é do jornalista e fotógrafo PH DE NORONHA, 66 anos, carioca, tricolor de coração, apaixonado por samba, batuqueiro (surdo de 1ª) e fotógrafo de blocos do Carnaval de rua do Rio há quase 20 anos. Juntamente com Publius Vergilius, veterano “retratista” do Imprensa que eu Gamo, foi um dos primeiros “fotógrafos militantes” do Carnaval de rua carioca. Depois, especializou-se nos blocos temáticos com oficinas de bateria surgidos no início dos anos 2000, como Bangalafumenga, Quizomba, Fogo e Paixão, Mulheres de Chico, Desliga da Justiça, Multibloco, É do Pandeiro, Rio Maracatu (criado nos anos 90) e muitos outros que vieram depois, como Tambores de Olokun e Calcinhas Bélicas. Expôs na Casa do Brasil de Valencia, na Espanha, na exposição Carnaval Brasileño, em 2017. “Enquanto ainda tiver saúde e boa câmera, seguirei fotografando de forma militante o Carnaval e outros eventos de rua na minha cidade querida, o Rio de Janeiro. Em tempo: a foto que estou enviando foi tirada no desfile parado do bloco Fogo e Paixão, no Carnaval de 2020, no Largo de São Francisco. Nela, eu vejo tudo o que este concurso pede: amor, cores e Carnaval.“